O entreguismo é um conceito cunhado por especialistas para explicar
uma ideologia política. A direita brasileira inspira-se nessa
ideologia. Segundo o Wikipedia, entreguismo ou cosmopolitismo, é o
“preceito, mentalidade ou prática político-ideológica de
entregar recursos naturais de uma nação para exploração por
entidades e empresas de outro país, de capital internacional”.
Consiste portanto na desnacionalização sistemática da indústria
interna, especialmente de setores considerados por determinados
segmentos ideológicos e políticos como setores-chave na produção,
como por exemplo a exploração do petróleo, mediante a
transferência de seu controle para agentes estrangeiros. Em suma,
trata-se de uma abertura, de uma entrega, ao mercado externo de bens
nacionais. É interessante ver que o entreguismo nasceu no Brasil na
década de 1950 no governo de Getúlio Vargas, quando o setor
conservador da sociedade brasileira defendia a entrega da Petrobras,
através abertura de suas ações, à investidores estrangeiros.
A cultura do entreguismo ainda paira sobre os
escombros de um pais cuja herança é colonial. O entreguismo se
revela assim como uma forma moderna de se colonizar o Brasil, na qual
se entrega de maneira democrática e legal o controle dos recursos e
da produção nacional. Cabe ressaltar que o entreguismo não é uma
forma de governo, e sim uma ideologia, um modo de pensar, um valor. A
abertura de empresas nacionais ao mercado privado, por exemplo a Vale
do Rio Doce, ou o setor das Telecomunicações, bem como a abertura
de ações da Petrobras à investidores estrangeiros, todas essas
medidas podem ser justificadas como necessárias e adotadas seguindo
a lógica neoliberal. Entretanto, o entreguismo não se trata apenas
de uma privatização de âmbito nacional, de conceder permissão
para empresas do setor privado explorarem o recurso natural ou
determinado serviço, trata-se de uma abertura total do mercado
interno ao mercado estrangeiro. É uma postura semelhante àquela do
Pacto Colonial em que todos os recursos naturais extraídos no Brasil
eram obrigatoriamente destinados ao mercado de Portugal, proibindo-se
qualquer tipo de concorrência. Vê-se, portanto, que pela cultura do
entreguismo reforça-se velhas ideias surgidas nos séculos XIX e XX,
como Colonialismo, Terceiro-Mundo, e aquela da existência de Países
Periféricos (em oposição aos Países Europeus do centro), já que
o argumento daqueles que aspiram a cultura entreguista é a
incapacidade do setor publico nacional em ser administrativamente
auto-suficiente, o que forçaria a entrega do seu controle ao setor
privado.
A cultura do entreguismo se adapta muito bem ao
espectro da política neoliberal defendida pela extrema-direita. Para
se entender a relação entre a direita e o entreguismo é preciso
remontar alguns anos atrás. Tudo indica que ela nasceu no governo de
Getúlio Vargas. Com a Revolução de 1930 comandada por Vargas, que
foi um golpe militar de Estado (mas num contexto diferente daquele de
1889 feito por por Marechal Deodoro da Fonseca, e também daquele de 1964), toda a dinâmica da
Republica Velha é abalada. O nacionalismo entra na ideologia do
Governo, e o elemento nacional é exaltado de maneira autoritária.
Durante o Estado Novo, e até as eleições de 1945, o governo busca
através do autoritarismo um nacionalismo de caráter fascista. Com o
restabelecimento da democracia em 1945, o partido União Democrática
Nacional (UDN) é criado para fazer oposição às políticas e à
figura de Getúlio Vargas. O conservadorismo brasileiro de viés
entreguista nasce portanto da ideologia do partido UDN, ideologia que
ficou conhecida como udenismo. O
"udenismo" caracterizou-se pela defesa do liberalismo
clássico e da moralidade, e pela forte oposição ao populismo. Suas
bandeiras eram a abertura econômica para o capital estrangeiro e a
valorização da educação pública. O entreguismo pode ser
considerado como a versão perversa da política neoliberal.